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O que é GLP-1? Entenda em linguagem simples o que são esses remédios que estão mudando o tratamento da obesidade

Ozempic, Mounjaro, Wegovy. Você já ouviu esses nomes. Mas o que é GLP-1, afinal? É mais simples do que parece.

Time Clínico Meu GLP18 min de leitura
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Ilustração simples mostrando o intestino liberando o hormônio GLP-1 após uma refeição, com sinais chegando ao cérebro e ao pâncreas
Ilustração simples mostrando o intestino liberando o hormônio GLP-1 após uma refeição, com sinais chegando ao cérebro e ao pâncreas

Aviso: Este conteúdo é informativo e baseado em estudos clínicos. Não substitui consulta médica. Todo remédio GLP-1 exige receita e acompanhamento de um médico.

Você já ouviu falar em Ozempic, Mounjaro ou Wegovy?

Se sim, você já ouviu falar de GLP-1. Esses três remédios são da mesma família. Todos funcionam de um jeito parecido. Todos agem em um hormônio que o seu corpo já produz naturalmente.

Esse hormônio se chama GLP-1.


O que é GLP-1, em linguagem simples

Imagine que o seu corpo tem um botão de saciedade. Quando você come, o intestino aperta esse botão e manda um sinal para o cérebro: "chega, já comeu o suficiente."

Esse sinal é o GLP-1.

GLP-1 é um hormônio produzido pelo intestino toda vez que você come. Ele faz três coisas ao mesmo tempo:

  • Avisa o cérebro que você está satisfeito
  • Pede para o pâncreas liberar insulina, que baixa o açúcar no sangue
  • Deixa o estômago mais lento, para a comida durar mais tempo e a saciedade durar mais

O problema é que em muitas pessoas com obesidade ou diabetes, esse sinal chega fraco ou tarde demais. A fome não para. O açúcar no sangue sobe mais do que deveria.

Os remédios GLP-1 resolvem isso. Eles imitam esse hormônio e deixam o sinal muito mais forte e duradouro.


Por que esses remédios ficaram famosos

Antes dos GLP-1, os remédios para obesidade ajudavam a perder em média 5% a 8% do peso. Era pouco, e muita gente não conseguia manter.

Aí vieram os GLP-1. E os resultados foram diferentes de tudo que existia antes.

No estudo mais importante com semaglutida (o ingrediente do Ozempic e do Wegovy), as pessoas perderam em média 15% do peso em pouco mais de um ano. No estudo com tirzepatida (o ingrediente do Mounjaro), a perda chegou a 22,5%.

Para entender o tamanho disso: uma pessoa de 100 kg poderia perder 22 kg. Com um remédio. Sem cirurgia.

Foi por isso que o mundo inteiro começou a falar sobre esses remédios.


GLP-1 já existia antes desses remédios?

Sim. O hormônio GLP-1 sempre existiu no seu corpo. O que mudou foi a criação de remédios que imitam esse hormônio de forma muito mais potente e duradoura.

O GLP-1 natural dura apenas alguns minutos no corpo antes de ser destruído. Os remédios foram desenvolvidos para durar dias ou até uma semana inteira. É por isso que a maioria deles é aplicado uma vez por semana.


Quais remédios GLP-1 existem no Brasil

Hoje existem três substâncias diferentes disponíveis no Brasil:

Semaglutida
É a substância mais usada no mundo. Está disponível em vários produtos:

  • Ozempic: injeção semanal, indicado para diabetes tipo 2
  • Wegovy: injeção semanal, indicado para obesidade
  • Rybelsus: comprimido diário, indicado para diabetes tipo 2
  • Ozivy, Extensior, Poviztra: versões nacionais de semaglutida injetável

Tirzepatida
A geração mais recente. Age em dois hormônios ao mesmo tempo: GLP-1 e GIP. Por isso os resultados nos estudos foram maiores.

  • Mounjaro: injeção semanal, indicado para diabetes tipo 2 e obesidade

Liraglutida
A mais antiga da família. Precisa ser aplicada todo dia, não uma vez por semana.

  • Saxenda: indicado para obesidade
  • Victoza: indicado para diabetes tipo 2
  • Lirux, Olire: versões nacionais

Compare os preços de todos os GLP-1 disponíveis no Brasil


Qual a diferença entre eles

A diferença mais importante não é o nome da marca. É a substância dentro do remédio.

Pense assim:

  • Semaglutida aperta um botão de saciedade
  • Tirzepatida aperta dois botões ao mesmo tempo

Por isso os estudos com tirzepatida mostraram resultados maiores. Mas isso não quer dizer que tirzepatida é melhor para todo mundo. O seu médico é quem avalia qual substância faz mais sentido para o seu caso.

Outra diferença importante é o custo. Semaglutida já tem versões nacionais mais baratas no Brasil. Tirzepatida ainda não tem genérico disponível.

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Para quem esses remédios são indicados

Os remédios GLP-1 precisam de receita médica. As indicações aprovadas pela Anvisa são:

Para perda de peso:

  • Pessoas com IMC acima de 30 (obesidade)
  • Pessoas com IMC acima de 27 com alguma doença associada, como diabetes, pressão alta ou apneia do sono

Para diabetes tipo 2:

  • Adultos que precisam de melhor controle do açúcar no sangue

Quem não deve usar:

  • Grávidas ou quem está amamentando
  • Pessoas com histórico de câncer medular de tireoide na família
  • Pessoas com Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2

Quanto se perde com GLP-1

Essa é a pergunta que todo mundo quer saber. A resposta honesta é: depende.

Depende da substância. Depende da dose. Depende do seu peso no começo. Depende da alimentação e do exercício.

O que os estudos mostram em média:

RemédioPerda média de pesoDuração do estudo
Semaglutida 2,4mg (Wegovy)14,9%68 semanas
Semaglutida 7,2mg (Wegovy)21%72 semanas
Tirzepatida 15mg (Mounjaro)22,5%72 semanas
Liraglutida 3mg (Saxenda)8,4%56 semanas

Para uma pessoa de 100 kg, 15% significa 15 kg perdidos. 22% significa 22 kg.

Esses números são médias. Algumas pessoas perdem mais, outras perdem menos. E nos estudos, todos os participantes seguiam dieta e praticavam exercício. Sem isso, os resultados são menores.


O tratamento é para sempre

Essa é uma das dúvidas mais comuns. E a resposta é parecida com a de outros remédios para doenças crônicas.

Obesidade e diabetes tipo 2 são condições crônicas. O GLP-1 trata enquanto você usa. Quando para, o efeito vai embora junto.

Estudos mostram que a maioria das pessoas recupera boa parte do peso depois de parar o remédio. Não porque o remédio falhou. Mas porque a condição continua existindo.

Isso não significa que você vai tomar para sempre, necessariamente. Mas significa que a decisão de parar precisa ser planejada com o médico. Com estratégia.


Efeitos colaterais mais comuns

Os GLP-1 têm efeitos colaterais. A maioria é no sistema digestivo e tende a melhorar com o tempo.

Os mais comuns:

  • Enjoo, especialmente nas primeiras semanas
  • Prisão de ventre ou diarreia
  • Refluxo e sensação de estômago cheio
  • Cansaço leve

Esses efeitos aparecem mais quando a dose aumenta. É por isso que o tratamento começa sempre com dose baixa e vai subindo aos poucos.

Efeitos raros mas sérios existem, como pancreatite e problemas na vesícula. Por isso o acompanhamento médico é importante, não opcional.

Guia completo de efeitos colaterais dos GLP-1


Quanto custam esses remédios no Brasil

Os preços mudaram muito nos últimos meses. Com a chegada de versões nacionais de semaglutida, o custo caiu bastante para essa substância. Tirzepatida ainda não tem concorrência nacional.

A variação de preço entre farmácias e programas de desconto pode ser grande. Vale sempre pesquisar antes de comprar.

Ver preços atualizados de todos os GLP-1 no Brasil


Bloco técnico: para quem quer se aprofundar

O mecanismo completo do GLP-1

GLP-1 (glucagon-like peptide-1) é um peptídeo incretinico produzido pelas células L do intestino delgado em resposta à ingestão alimentar. Age através de receptores específicos (GLP-1R) distribuídos no pâncreas, sistema nervoso central, trato gastrointestinal, coração e rins.

Os efeitos fisiológicos incluem:

  • Secreção de insulina glicose-dependente pelas células beta pancreáticas
  • Supressão do glucagon pelas células alfa pancreáticas
  • Retardo do esvaziamento gástrico
  • Redução do apetite via ação central no hipotálamo e tronco cerebral
  • Efeitos cardioprotetores independentes do controle glicêmico

A meia-vida do GLP-1 endógeno é de 1 a 2 minutos, degradado pela enzima DPP-4. Os análogos farmacológicos foram desenvolvidos com modificações estruturais que conferem resistência à degradação enzimática, estendendo a meia-vida para 24 horas (liraglutida) ou 7 dias (semaglutida e tirzepatida).

GLP-1 vs. GIP/GLP-1

A tirzepatida representa uma evolução farmacológica relevante: é um duplo agonista que ativa simultaneamente os receptores GLP-1 e GIP (glucose-dependent insulinotropic polypeptide). O GIP age no tecido adiposo por via distinta do GLP-1, regulando o armazenamento e a mobilização de gordura. A ativação simultânea dos dois receptores produz sinergia metabólica que explica os resultados superiores nos estudos SURMOUNT vs. STEP.

O que os estudos mostram

STEP 1 (NEJM, 2021): semaglutida 2,4mg produziu perda média de 14,9% do peso em 68 semanas em adultos com obesidade sem diabetes (n=1.961).

SURMOUNT-1 (NEJM, 2022): tirzepatida 15mg produziu perda média de 22,5% em 72 semanas em adultos com obesidade sem diabetes (n=2.539).

STEP UP (Lancet, 2025): semaglutida 7,2mg produziu perda média de 21% em 72 semanas, aproximando os resultados das duas moléculas em doses equivalentes.

SELECT (NEJM, 2023): semaglutida 2,4mg reduziu eventos cardiovasculares maiores em 20% em adultos com obesidade e doença cardiovascular estabelecida, sem diabetes.

Perguntas frequentes

Fontes e referências

  1. Wilding JPH, et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity (STEP 1). NEJM. 2021
  2. Jastreboff AM, et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity (SURMOUNT-1). NEJM. 2022
  3. Lincoff AM, et al. Semaglutide and Cardiovascular Outcomes in Obesity without Diabetes (SELECT). NEJM. 2023
  4. Wharton S, et al. Once-weekly semaglutide 7.2mg in adults with obesity (STEP UP). Lancet Diabetes & Endocrinology. 2025. )00226-8/abstract 00226-8/abstract)
  5. Pi-Sunyer X, et al. A Randomized, Controlled Trial of 3.0mg of Liraglutide in Weight Management (SCALE). NEJM. 2015
  6. Anvisa. Registros de medicamentos GLP-1 no Brasil
  7. ABESO. Diretrizes Brasileiras de Obesidade 2023
Escrito por Time Clínico Meu GLP1
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As informações deste artigo têm caráter informativo e não substituem a orientação médica. Uso de medicamentos exige prescrição.